“Porque te perder, era me perder. E meu orgulho não deixava eu me encontrar de jeito nenhum.
“Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: - Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
“Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade
“― Tô doente.
― De quê?
― De saudade.
“Um beijo pro meu bom senso que, vez ou outra, me impede de apertar o Enter.
“O telefone tocava e eu sabia que era ele e o meu coração disparava tanto que eu tinha medo de morrer antes de falar: “alô”.
“Se você for embora, não deixa nada comigo, nem mesmo a vontade de ficar com você.
“Tinhamos uma idéia, mas você mudou os planos. Tinhamos um plano, mas você mudou de idéia…
“Não choro, não corro atras, não espero mais nada. Se você vier, ótimo. Caso contrário, eu sigo minha vida como sempre segui.